Começamos a resgatar e doar animais em
2006 (os resgates começaram antes, em 1998, mas os 4 primeiros sortudos ficaram conosco).
No início exigíamos telas e...só! O questionário era basicão, não
filtrava nada (aliás, o mesmo modelo que as ONGs usam atualmente). De acordo com nossa "lógica" da época, se a pessoa se dispôs a pagar pela instalação de redes de proteção,
certamente não era irresponsável nem mesquinha (santa ingenuidade, Batman!). Apesar
dos critérios frouxos, tivemos sorte e atraímos adotantes bem decentes (alguns excelentes).
Aí, em 2007, apareceu a fulana. Marinheira de primeira viagem, cheia de
conversa mole, jurou
que não pretendia adotar a gata e se mandar para outro país, como sua mãe nos alertou ("não se preocupe quanto a isso, eu tenho plena
consciência da responsabilidade que estou assumindo. é como ter um filho, na
minha opinião, a rotina, a vida, tudo vai mudar pra mim e eu estou disposta a
isso!", prometeu via email). Garantiu que poderia sustentar a gata sem problemas, mas deu
sinais claros de que as coisas não eram bem assim ("ainda não comprei tudo que
tenho que comprar pra ela, porque no petshop aqui do lado de casa é caro
demais". Os itens eram: bandeja sanitária, pá, areia, 2 potes e ração de
supermercado!). Os sinais estavam todos lá, eu percebi, estava superinsegura, mas era
a primeira gata que ameaçava encalhar, uma pressão enorme da família para doar, então eu
cedi. Doei com o coração apertado e em nenhum momento consegui relaxar. No
início trocamos vários emails, mas
de repente o contato foi totalmente cortado por ela. Logo descobri o motivo do sumiço: fulana tinha se mudado para a Europa! A gata foi parar no apartamento da mãe (que não foi a primeira opção, já que os gatos de um amigo "não aceitaram" dividir o território) e antes da instalação das redes de proteção (msg da irmã no facebook: "veio pra
cá sim com o apartamento nao telado, mas nao levou nem uma semana pra telar
tudo” - isso se for verdade, já que elas mudavam de versão a cada conversa). Detalhe: telaram as janelas, mas deixaram a varanda sem telas (a foto
da gata deitada na cadeira da varanda sem telas deletaram do orkut e hoje negam a conversa que tiveram com minha irmã na época sobre o assunto: "como vc sabe que as fotos que vc viu no orkut nao eram antigas???". Antigas com a gata na foto? Dá até preguiça...), só depois de sei lá quantos meses
resolveram abrir a carteira e telar o que faltava. Nesse tempo todo a gata
contou com a sorte. O fato de continuar viva e atualmente "viver em segurança"
não diminui a culpa de colocá-la nas mãos dessa
gente, depois de criá-la, com todo carinho, por 7 longos meses.Meu consolo é saber que gente desse tipo não passaria pelo nosso crivo atualmente. Isso foi comprovado quando a irmã da fulana respondeu (ironia do destino?) o meu questionário na tentativa de adotar o gato de uma amiga (que pediu o modelo "emprestado"), em meados de 2010. Em várias situações ela aceitaria repassar o gato para a mãe ou amigos: mudança de país (surprise, surprise), morar com alguém que não gosta de gatos (??), criança alérgica em casa (pra mim só existem 2 situações aceitáveis: perder tudo e virar mendigo ou se descobrir com uma doença terminal). Ração? Whiskas e Friskies ("não economizo com a saúde dos meus animais", a tonta afirmou numa das respostas)! Banho em pet shop? Largam a gata na mão de um funcionário e vão "deitar na rede" ("Eles pegam a minha gata em casa e depois a traz de volta" (sic). É muito desapego). Apesar de ficar triste pela gata, que poderia ter ido para um adotante bem superior (o que não seria muito difícil, no caso), fico aliviada por perceber que conseguimos nos "blindar" contra candidatos desse (baixo) nível.
* Obs: nossa definição de "tosco" é BEM diferente da maioria, que fique claro, já que mesmo naquela época já exigíamos telas, fazíamos questão de entregar o gato na casa do adotante e doávamos animais já castrados.


























